Around The World...

Diário de Bordo da aventura que virou a minha vida de viajante, voluntário, fotógrafo e professor, sempre recheado de muita história e informação. Bem vindo a essa jornada!

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Terra Blog

Categoria: Dia-a-Dia

31.07.08

Guia rápido de Chinês...

 

Hoje, entrei em uma livraria de um shopping e fui para seção de "viagens" na busca de mapas da cidade de Pequim. Queria estudar junto com meu parceiro Danilo sobre a capital chinesa e aprender mais sobre o local antes de desembarcar por lá no sábado (09/08). É claro que guias e mapas sobre a China não são muito comuns nas prateleiras de Brasília, mas olha que eu até achei uns 4 títulos sobre o tema, porém um deles, o menor, me chamou muita atenção.

Era o "Guia Prático de Conversação em Chinês". Pensei... porque não? Abri o livretinho de 127 páginas e li uma frase para a vendedora. O resultado? Ela riu... pedi que ela tentasse pronunciar algumas coisa. Ela tentou, mas foi a minha vez de rir. Sabe como é "como vai" em Chinês? Ní hao ma. Tente você dizer agora... ridículo, não é? Eu sei... vamos para a próxima lição: "vocês aceitam cartão de crédito?" Kéil yòng xìnyòngkã ma? Pode deixar que vou parar por aqui...

Não sei o que foi pior: achar um livro de bolso que promete ensinar você a se comunicar em chinês, ou o fato d'eu ter comprado o livro... será que foi desespero?

Leia o original em: www.brasiliabeijing.com

28.05.08

Desrespeito

categorias: Dia-a-Dia

 

Era uma noite fria em Brasília e me preparava para ir a minha primeira festa junina do ano. Sabemos que no fim de meio elas começam a se multiplicar por todo o lugar e eu pareço viajar no tempo sentido o cheiro de "traque", de milho e de quentão. As bandeirinhas, sejam de plátisco, folha de revistas, ou jornal velho dão brilho na noite onde amigos se encontram para comer e conversar.

Pelo frio, decidi colocar um jaqueta. E fui dirijindo pelo "eixinho", uma avenida de trânsito rápido que não possui semáforos em praticamente todo o seu trajeto. Mas de longe avistei um grupo de 20 homens que cruzavam a avenida e eles pareciam sinalizar para que eu parasse o carro. Meu coração acelerou e junto com ele eu também acelerei. O homens andavam a passos lentos, despreocupados e xingavam que passava de carro. Pensei: sequestro? Assalto? Não havia semáforo, não havia faixa de pedestre... o que ele queriam? Na dúvida, acelerei.

Quando passei por um deles que estava próximo a calçada, ele cuspiu no carro e o cuspe pegou um minha jaqueta... menos mal, se não tivesse pegado nela, teria pegado em meu braço. Mas foi como se ele tivesse cuspido na minha cara. O que leva alguém a cuspir em outra pessoa sem uma motivo aparente?  O que leva alguém a cuspir em um cidadão de bem que sentia apenas medo da violência? O mundo está de cabeça para baixo... lembrei do caso da menina Isabela, lembrei do jovem morto a tiros em São Paulo devido a uma pequena batida no trânsito e lembrei do homem agredido no Rio com uma barra de ferro porque reclamou de outro motorista.

A violência atinge o cidadão de bem, e a violência vem pela falta de compreensão, paciência e, principalmente, humanidade. Cuspiram em mim por cumprir a lei de trânsito, cupiram em mim por nada...

O meu medo é que aquele que cospe por nada, um dia possa vir a matar por nada e a violência se reproduz num ciclo cada vez mais desumano.

16.05.08

Um clips...

categorias: Dia-a-Dia

 

Estava eu na escola em mais um dia de trabalho, quando em minha mesa encontrei um clips, um pequeno clips. Não sabia muito bem o que fazer com ele... mas sem pensar coloquei dentro do bolso do meu jaleco, o ato se deu como um reflexo natural. Ri comigo mesmo... por que fiz aquilo?

Em dias de prova, nossa atenção deve ser total, tomados pelo desejo de colar, os alunos tentam de todas as artimanhas para conseguirem a tão desejada média. Por isso não poderia dar muito espaço, de olhos atentos assisti o tempo passar. Cabelos enrolados, unhas ruídas, borrachas apagando... as provas sempre deixa aquele clima de tensão no ar. E o clips continuava no meu bolso, mesmo eu me esquencendo dele.

Após duas horas, solicitei a um colega de trabalho que assumisse meu lugar na sala, estava apertado para ir ao banheiro... ele veio e eu fui. No momento que me posicionei diante do vaso para "tirar a água do joelho" o botão do meu jeans caiu dentro da privada... e lá estava eu literalmente com " as calças nas mãos". Fui pego de surpresa, é o tipo de coisa que a gente nunca espera acontecer. Senti um frio na barriga, acho que o princípio do desespero...sair segurando as calças pela escola seria um tanto quanto patético.

Então... fiz o que temos que fazer nessas horas: pensei. Após alguns segundos, abri um sorriso: o clips! Prendi a calça usando o clips como botão. Sorri sozinho diante do espelho enquanto lavava as mãos, ninguém jamais saberia o que se passou, graças ao pequeno amigo de metal que me salvou da embaraçosa situação.

Nada acontece por acaso.

13.04.08

No Baú

categorias: Dia-a-Dia

 

Em Brasília, ônibus é chamado de "baú". E andar de baú acaba sendo uma boa saída quando se quer ir ao Setor Comercial Sul (Centro da Cidade)... a falta de estacionamento e o tráfego caótico nos leva a optar pelo transporte público. É muito melhor do que ficar horas tentando achar uma vaga...

Eu tinha uma reunião naquelas bandas, uma reunião à 19:00. Significava ter que pegar o baú no horário de pico, onde a maioria das pessoas estão saíndo do seu trabalho sedentos pelo conforto do lar.

Peguei o ônibus, não havia lugares. Fiquei de pé e tranquilo. O baú estava cheio, mas não lotado. Não por muito tempo! Algumas paradas depois mais de 20 pessoas entram de uma vez, e espremido tentava me manter equilibrado no balanço trânsito. O desconforto era grande e cada um tentava fazer alguma coisa para achar sua melhor posição. Sabe como é, na hora do aperto é cada um por si... mas não foi bem assim.

No meio da confusão, vi as pessoas se oferecerem para segurar bolsas, sacolas e pastas daqueles que estavam de pé... vi a gentileza resistindo à frieza do cotidiano urbano.

E espremido, sorri.

04.04.08

Contemplação

categorias: Dia-a-Dia

Céu de Brasília visto da Ermida Dom Bosco. Photo by Aurélio Araújo

Vista do céu de Goiânia no Centro da Cidade. Photo by Aurélio Araújo.

 

Sempre denfendi aqui que o melhor é sempre o simples, e vou te confessar que apesar das minhas andanças minha opinião não mudou. É o poder do simples que faz aquele nosso dia brilhar no momento em que a gente menos espera.

Foi em uma aula de campo de fotografia que olhei para cima e vi o belo desenho que Djavan chamou em sua composição musical de "traço do arquiteto". E digo sem medo que não há melhor definição. Os mistérios de luz e cor que se escondem entre as núvens de algodão são sempre um convite para a nossa contemplação. Vem a calma, a paz, e no meio de um dia contubardo é capaz de trazer de volta o sorriso. 

Mas Brasília não possui essa exclusividade, acho que, de maneira geral, é uma marca do Planalto Central. Durante um breve final de semana em Goiânia, na cobertura do hotel, um amigo me chamou a atenção: "a quanto tempo você não vê um arco-íris?" Fazia tempo... mas acho que como aquele nunca tinha visto. Parei e fiquei hipnotizado até o rastro mágico de cores partir sem dizer adeus.

Mas onde estaria o pote de ouro? Pote de ouro que nada, toda a riqueza estava na pureza do momento...