Around The World...

Diário de Bordo da aventura que virou a minha vida de viajante, voluntário, fotógrafo e professor, sempre recheado de muita história e informação. Bem vindo a essa jornada!

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008, 29

28.05.08

Desrespeito

categorias: Dia-a-Dia

 

Era uma noite fria em Brasília e me preparava para ir a minha primeira festa junina do ano. Sabemos que no fim de meio elas começam a se multiplicar por todo o lugar e eu pareço viajar no tempo sentido o cheiro de "traque", de milho e de quentão. As bandeirinhas, sejam de plátisco, folha de revistas, ou jornal velho dão brilho na noite onde amigos se encontram para comer e conversar.

Pelo frio, decidi colocar um jaqueta. E fui dirijindo pelo "eixinho", uma avenida de trânsito rápido que não possui semáforos em praticamente todo o seu trajeto. Mas de longe avistei um grupo de 20 homens que cruzavam a avenida e eles pareciam sinalizar para que eu parasse o carro. Meu coração acelerou e junto com ele eu também acelerei. O homens andavam a passos lentos, despreocupados e xingavam que passava de carro. Pensei: sequestro? Assalto? Não havia semáforo, não havia faixa de pedestre... o que ele queriam? Na dúvida, acelerei.

Quando passei por um deles que estava próximo a calçada, ele cuspiu no carro e o cuspe pegou um minha jaqueta... menos mal, se não tivesse pegado nela, teria pegado em meu braço. Mas foi como se ele tivesse cuspido na minha cara. O que leva alguém a cuspir em outra pessoa sem uma motivo aparente?  O que leva alguém a cuspir em um cidadão de bem que sentia apenas medo da violência? O mundo está de cabeça para baixo... lembrei do caso da menina Isabela, lembrei do jovem morto a tiros em São Paulo devido a uma pequena batida no trânsito e lembrei do homem agredido no Rio com uma barra de ferro porque reclamou de outro motorista.

A violência atinge o cidadão de bem, e a violência vem pela falta de compreensão, paciência e, principalmente, humanidade. Cuspiram em mim por cumprir a lei de trânsito, cupiram em mim por nada...

O meu medo é que aquele que cospe por nada, um dia possa vir a matar por nada e a violência se reproduz num ciclo cada vez mais desumano.

Delícias de Pernambuco

categorias: Viagem

Balões de São João em Gravatá - PE, photo by Aurélio Araújo.

Jangadeiro no mar de Porto de Galinhas - PE. Photo by Aurélio Araújo.

Cadetral da Sé em Olinda, photo by Aurélio Araújo.

 

5 anos me separam da última vez em que havia visitado a minha terra natal: Pernambuco. Entretanto, apesar da distância, minha alma nunca deixou de ser nordestina.

Nascido em Recife, mas criado em Brasília desde os dois anos de idade, a "Veneza Brasileira" foi sempre um velha conhecida. Lembro de na minha infância e adolescência passar várias férias de verão por aquelas bandas, dançando nos carnavais no Galo da Madrugada e nas ladeiras encantadoras de Olinda, chupando pitomba e tomando suco de cajá.

Nos 5 dias que fiquei por lá não parei. Subi a Sé em Olinda e comi uma tapioca com queijo, tomei uma cerveja em Boa Viajem regada a muito camarão e me deliciei com as belezas daquela que é, em minha opinião, uma das melhores praias do Brasil: Porto de Galinhas.

Mas foi em Gravatá, uma cidadezinha provinciana no agreste pernambucano, que cheguei ao topo de minha ventura. Buxada de bode, sarapatel, farofa d'água, tanajura frita (isso mesmo! Aquela formiga gigante!), carne-de-sol, pamonha... foi uma viajem pelos pratos mais tradicionais do sertanejo e o melhor, o cheiro de São João já estava no ar.

Me senti, como a muito tempo não sentia: nordestino. Não só pela comida, mas pelo sotaque, pelo ritmo, clima e, principalmente, pela família. Era a saudade daqueles que me viam esticar a cada final de ano, que sabiam que eu havia chegado, porque tinha passado na escola sem recuperação, saudade daqueles que me viram menino e agora encontram um "homem feito". Recife era meu prêmio, mas virou minha paixão.

"Voltei, Recife
Foi a saudade
Que me trouxe pelo braço
Quero ver novamente "Vassoura"
Na rua abafando
Tomar umas e outras
E cair no passo (...)"