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Foi mergulhando no Pacífico que perdi meu relógio. A pulseira se abriu e, sem avisar, ele se foi para sempre. Quando percebi, era tarde demais. Mas a vida geralmente é assim, né? Quando a gente percebe... já é tarde demais. Uma pena, era um bom companheiro.
Sem relógio a minha noção de tempo mudou e por isso tento me guiar pelos sinais da natureza. Chove lá fora e vento forte indica que a tempestade está por vir... que horas são? Não sei, nem me interessa.
Nesse mundo moderno e globalizado é curioso perceber como nossa vida está presa so tempo. Quando ficamos sem relógio dá sempre aquela sensação que perdemos um pedaço do braço. Lembro do meu dia-a-dia de professor, sem relógio ela seria impossível. A matéria que deve ser terminada, o conteúdo a ser avançado, tudo devendo se encaixar no programa... o tal programa. Sem perceber nos tornamos escravos do tempo e o relógio é o nosso capataz.
E foi assim, meio sem querer que me dei alforria. Sem relógio estou livre para usar meu dia como quiser, o meu tempo é meu e de mais ninguém, pode até soar como mesquinhês, mas é isso que eu preciso agora. Com certeza, quando voltar ao Brasil uma das primeiras coisas que farei será comprar um relógio, enquanto isso eu aproveito para usar meu tempo no tempo que eu quero.
Se o ponteiro da vida não se alinha ao do relógio, talvez seja essa a hora de sentir a brisa da liberdade.

criado por Aurélio Araújo
05:18:51