Around The World...

Diário de Bordo da aventura que virou a minha vida de viajante, voluntário, fotógrafo e professor, sempre recheado de muita história e informação. Bem vindo a essa jornada!

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007, 24

24.12.07

Mundo Desigual

 

Foi uma longa jornada. Eu e meu companheiro Renan saímos sábado 6:00 da casa dos voluntários em Maputo e de taxi seguimos para pegar o ônibus que nos dexaria em Johannesburg (África do Sul)... o ônibus partiu exatamente às 7:30 e por volta das 9:00 chegávamos na fronteira de Ressano Garcia. Era a minha quarta vez por lá, sabia que estaria lotada, mas não tanto! Havia esquecido de um detalhe: no período de final de ano, os moçambicanos que trabalham nas minas da África do Sul retornam para casa para celebrar as festividades e trazer os ganhos para família. Milhares de pessoas se alinhavam em filas para estamparem o carimbo em seus passaportes. Foram 2 horas e meia esperando em um calor que beirava os quarenta graus. Após esse pedaço de inferno seguimos viagem sem mais prolemas.

O clima em Johannesburgo era agradável. A medida que seguiamos para sul a teperatura esfriáva. Confesso que a cidade me pareceu mais amigável que dá primeira vez que passei por lá em junho, mas não sou ingênuo de achar que estava menos perigosa. Desembarcamos por volta das 18:00 e de cara encontramos um taxista moçabicano que se ofereceu para no levar ao aeroporto. Aceitamos, e para nossa supresa, ele também estava levando outra brasileira para o mesmo destino. Uma senhora de Goiânia que era enfermeira em Moçambique desde 1994. É engraçado como nós brasileiros estamos em absolutamente todos os lugares. Não há lugar nesse mundão que a gente viaje e não encontre um!

Voamos para Londres, passeamos no Hetrow e seguimos para Nova Iorque. Desembarcamos no JFK, pela imigração, pegamos as malas e seguimos para a estação de ônibus da cidade (Port Authority). A temperatura por aqui? – 5 graus... isso mesmo, deixamos os 40 de Moçambique para alcançar os – 5 da Big Apple. Meu corpo logo sentiu a diferença.

Devido a uma tempestade de neve ao norte, todos os ônibus foram cancelados e nossa chegada à IICD foi empurrada para o dia seguinte. Frustrado? Claro... triste? Jamais! Afinal, eu estava na capital do mundo, eu estava em Nova Iorque! Conseguimos um Hostel e nos embrenhamos por algumas linhas de metrô. Já faziam 40 horas que estávamos viajando. Detei na cama do quarto e dormi, dormi às 5 horas da tarde... acordei às 5 horas da manhã. O cansaço e o fuso-horário me maltrataram. E acordei com toda a disposição do mundo... resolvi ir para sala-de-estar e ver um filme, usar uma internet. O tempo aqui funciona 7 horas a menos que Moçambique, demorei 4 dias para voltar a dormir direito...

Saímos para tomar café, um café americano. Queijo, bacon, ovo, panquecas, etc. Me senti cheio, quase explodi de tanto comer, me senti vazio, a saudade da África já era grande demais. Aqui a fartura, lá a falta... não posso olhar o mundo da mesma maneira, sem pensar nos meus irmãos que ficaram para trás. Prometo ser responsável, zelar pelo próximo e pelos direitos humanos, prometo manter viva a chama da esperança de viver em mundo melhor. E prometo para mim, por eles, por todos nós. África mudou tudo. Mudou quem eu sou e quem eu quero ser. E passando de taxi pela Time Square senti falta da tranquilidade e simplicidade de Changalane... é que as luzes da Time Squares poderiam iluminar milhares de lares sem eletricidade em Moçambique.

“Oh mundo tão desigual,
Tudo é tão desigual,
Oh, oh, oh, oh, oh (…)”.