Around The World...

Diário de Bordo da aventura que virou a minha vida de viajante, voluntário, fotógrafo e professor, sempre recheado de muita história e informação. Bem vindo a essa jornada!

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007, 14

14.12.07

O Reino da Swazilândia

Guerreiro Swazi na Vila Cultural - photo by Aurélio Araújo.

Pedalando nas trilhas da Swazilândia.

Feiticeiro lendo o meu futuro...

 

Eu me aventurei em mais um país africano. Fui meio que sem querer, sem saber o que esperar e fiquei impressionado. O Reino da Swazilândia, com seus singelos 17.000 km2 e 1.1 milhões de habitantes é um lugar encantador... com suas colinas e motanhas e clima de serra a Swazi é um lugar abençoado. O povo sorridente, gentil e acolhedor parece estar sempre feliz e orgulhoso de receber visitantes.

Após 6 meses em Moçambique, senti um choque ao passear por lá. Estradas bens sinalizadas, em excelente condições, polícias em todos os lugares, cidades limpas e organizadas, além dos vários espaços de interesse público como: banheiros, jardins, parques, museus, etc.

Fui a Manzini, fui a capital Mbabane, fui a Lobamba. É fácil vconhecer o país inteiro, ele tem apenas 110km de largura. Em Lobamba me aventurei em uma moutain bike pela Mantega Natural Reserve, um paraíso natural e cultural da nação Swazi. E foi lá que eu encontrei uma comunidade tradional zulu. Os swazi são uma das nações nacida dentro dos Zulu. Grandes guerreiros e caçadores se estabeleceram em um território encravado na África do Sul e beirado por Moçambique. Eles consigaram a sua independência em 1967 dos inglêses de maneira pacífica e se tornaram um paraíso de convivência para aqueles que repudiavam o apartheid. O país, apesar do grande problema do HIV - que se estende por toda a África sub-sahariana, parece ser o mais desenvolvido da região, dando a sensação de se estar em um reino encantado.

Visitei a vila Swazi, entrei na cabana do feiticeiro que me explicou como matar leões, cobras, como limpar o estômago de hipopótamos com vermes, me falou sobre o poder de algumas plantas para diarréia, dores de cabeça e pesadê-los e falou do meu futuro. Vi a dança tradicional dos Swazi. No final, fui convidadado para comer carneiro assado com outros pratos tradicionais e me deliciei nos sabores de África co as mãos, talheres não fazem parte da mesa, nem a mesa... na África se come no chão.

Ao final da tarde, fui ao palácio real. A Swazilândia é a última monarquia tradicional africana, o rei é o chefe da tribo e a rainha é sua mãe. A mornaquia por lá, mesmo com toda a tradição, é democrática com senado e assembléia eleitas pelo povo e com o 1º ministro eleito pelo parlamento. Assisti a cerimônia do Ncawala. Mais de 500 guerreiros zulu em suas roupas tradicionais com peles, lanças e escudos dançavam e rezavam ao redor do rei. Um momento único. Mas o melhor foi ver o rei e suas 16 mulheres, a rainha e todos os seus filhos. Todo o ano o rei escolhe um nova mulher em uma cerimônia que acontece em agosto. Na Swazi o homem pode ter quantas mulheres ele puder sustentar.

A mulher se casa aos 18 e homem entre 30 e 35 anos. Primeiro o homem trabalha, depois ele casa. É que casar aqui custa caro. O homem deve pagar ao pai da noiva 17 cabeças de gado. A riqueza se mede pelo tamanho do rebanho. Era tanta história, tanta cultura que eu nem sabia por onde começar. Me encantei pela Swazilândia, por suas cores, pelo seu povo, por que ela é a medida perfeita do que todo país africano deveria ser... culturalmente forte, economicamente desenvolvido, socialmente saudável. No terceiro dia retornei a Moçambique, voltei para arrumar minhas malas por que estou indo embora em algumas horas...

Eu vivi em Moçambique, mas foi no reino da Swazilândia que tive o meu grand finalle. Nos vemos em Nova Iorque!

Para visualizar mais fotos, acesse:

http://zocorelio.multiply.com/photos/album/57