Around The World...

Diário de Bordo da aventura que virou a minha vida de viajante, voluntário, fotógrafo e professor, sempre recheado de muita história e informação. Bem vindo a essa jornada!

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2007, 12

12.12.07

Não aprendi dizer adeus

Despedida com meus alunos na One World University em Changalane, a camisa foi um presente da Instituição.

Agradecendo as homenagens...

Foi em uma sexta-feira chuvosa de dezembro que tudo aconteceu. Todos os meus alunos reunidos mais alguns membros do staff. Uma noite húmida, festa simples, mas cehia de valor. Minha despedida da One World University foi rodeada de muita tristesa e alegria. Aleria por poder celebrar aquele momento com aqueles que mais que alunos, viraram amigos. Tristeza por o tempo não perdoa, o relógio insiste em virar os ponteiros e após seis meses vou embora.

Poemas foram declamados, frases, discursos, danças, brincadeiras... tudo isso foi feito durante o meu adeus, durante a minha última noite em Changalane. Mas o que mais me surpreendeu foi uma singela homenagem feita por um aluno angolano. Ele se levantou, distribuiu pequenos papeis com a letra de uma canção e começou a entoá-la. No início eu eu ri, mas depois percebi que não era engraçado, era sério, era melancólico e feito com carinho. Querendo me dar um adeus à brasileira, eles cantaram “Não aprendi dizer adeus” de Leandro e Leonardo. Em outra situação poderia chamar aqui la de cafonice, mas aqui não, aqui foi de coração... e quando é assim, quem se importa em ser cafona?

“Não apendi dizer adeus,
mas tenho que aceitar que amores vem e vão,
São aves de verão,
Se tens que me deixar, que seja então feliz (...)”

Entendi a mensagem, o Leandro e o Leonardo estavam certos! Por isso, desejei também um futuro feliz a todos e disse adeus a aqueles com quem aprendi muito. Os meus alunos me mostraram um Moçambique que eu nunca poderia ter descoberto sozinho.

Mas não foi fácil dizer adeus, ainda não aprendi como fazer, e se tudo der certo nunca vou aprender (quando aprendemos a dizer adeus, esfriamos os nossos corações). As palavras se engacharam na minha garganta e eu, conhecido como falador, me vi mudo diante deles. Meus olhos falaram, eles entenderam. Pipoca, biscoitos, suco e acabava minha missão na OWU. Fui para cama querendo aproveitar minha última noite na savana, querendo que o tempo não fosse tão cruel. Na manhã seguinte, segui de volta a Maputo, mas dessa vez para partir.

Tudo que começa tem um fim, mas o importante é fim venha com satisfação. Assim é o nosso dia, assim é a nossa vida.