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Após 3 semanas vivendo na savana, retornei à urbanização (pensei em dizer civilização, mas quem disse que o mundo urbano é civilizado?). Supostamente eu deveria retornar na sexta-feira, mas devido a um princípio de conjutivite meu retorno foi antecipado para a quinta. O caminho de volta foi um pouco estranho, já acostumado com o silêncio apenas quebrado pelo canto dos pássaros, me vi novamente no vai-e-vem da capital moçambicana. Sobre a tal da conjutivite já estou bem, fui atendido e medicado em uma clínica no centro da cidade, mas foi só depois, quando retornei ao meu velho quarto no bairro da Machava, que percebi o quanto tinha saudades de Maputo...
A cidade das acácias, nascida pela força da exploração colonial (naquela época ainda chamada de Lourenço Marques), hoje cresceu e se tornou senhora. A mistura da arquitetura colonial portuguesa com o dia-dia da vida africana se mistura em suas ruas, becos e saídas. O lixo enfeita cidade, calçadas esburacadas, o mercado informal toma conta das esquinas. E é por essa cidade, banhada pela Costa do Sol e vigiada pela península de Catembe que eu me encantei. E foi em Catembe que fui encantado... é que de Catembe se vê Maputo, assim como de Niterói se vê o Rio de Janeiro... uma visão que dá a falsa imprensão do desenvovimento maqueado pelos arranha-céus.
E melhor é que ainda sim podemos andar em Maputo sosegados, basta abrir o olho na baixa da cidade, no resto é só tranquilidade. E como uma boa capital Maputo não para, de segunda a segunda temos o que fazer... e foi desse fazer que senti mais falta. Terça-feira é no Gil Vicente, quarta no Africa Bar, quinta no Xima, sexta Coconutts, sábado no bar da Estação Central com seu encantador "African Jazz" e domingo a gente relaxa na praia da Costa do Sol de dia e noite curte um rock no Núcleo de Arte. Segui o roteiro e não parei. Não parei por que estou de partida, não parei por que precisava me despedir. E quando parei, me vi lendo um livro no alto de um prédio estiloso na beira de um piscina. Segunda voltei para minha pacata na savana, na comunidade de Changalane, estava pronto para minha última semana de trabalho na África
E em Maputo tudo parece acontecer na medida certa...

criado por Aurélio Araújo
16:08:01