| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |
| 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 |
| 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 |
| 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 |
| 29 | 30 | 31 |
Nesse mês de outubro fez um ano que deixei o Brasil. Posso dizer que em um ano muitas coisas mudaram. Primeiro, esse foi o ano em que mais viajei em toda a minha vida, que mais conheci novas pessoas, que mais fiz novas amizades, que morei morei nos EUA, que morei em África.
Se eu olhar para trás e rebobinar a fita da minha vida em um ano, nunca poderia imaginar estar como e onde estou agora (usei a metáfora da fita na esperança de que a maioria dos meus leitores ainda se lembram do video cassete!). Tudo passou muito rápido e ao mesmo parece que tudo foi a muito tempo e um anos após embarcar nessa aventura ainda não sei exatamente onde esse rio vai desaguar. Também não sei muito sobre o que eu quero, mas tenho certeza do que não quero e esse já é um grande passo.
E por falar em passo, nesse último ano posso dizer que dei muitos, em todos os aspectos. E com cada passo, seja para frente ou para trás, aprendi. Aprendi a valorizar os amigos, a família, a vida. Aprendi a viver a vida agora, hoje, por que amanhã pode ser tarde demais. Aprendi que por mais novos e interessantes que sejam nossos caminhos a saudade está sempre lá, para nos lembrar dequeles que nos amam, para nos lembrar que somos humanos.
Sinto saudades de Brasília, da famíla, da comida, dos amigos, do trabalho, do Brasil. Mas é uma saudade gostosa, por que não é uma saudade do que se foi, mas um saudade do que está lá. Um ano de saudade, um ano de vida! Vivendo a liberdade plena de cruzar fronteiras e estradas, a liberdade que me diz que o Mundo é minha casa.
Faz um ano também que comecei a escrever esse blog, que comecei transformar meus pensamentos, falas e aventuranças em palavras. Ainda me espanto em como é bom escrever e postar cada texto, como é bom saber que sou de alguma maneira ouvido e que posso de maneira singela compartilhar o que tenho vivido e, quem sabe, até dado um empurrãozinho naqueles que de alguma maneira queriam buscar novas trilhas. Mas o bom mesmo é ler os comentários dos amigos, da família, e daqueles que mesmo sem conhecer pessoalmente apreciam meu trabalho.
O blog cresceu e eu cresci também. Juntos crescemos com coerência, (basta ler meu primeiro post em outubro de 2007 para perceber isso -http://zocorelio.blog.terra.com.br/?m=200610&page=2 ) Busquei e busco ser coerente com minha decisão, mas coerência não significa infalibilidade... também errei, mas e daí? Quem não erra?
O Blog foi acessado mais de 15.800 vezes. “Around the World” chegou no top 10 do provedor Terra e se manteve lá por 3 meses. O fato é que após um ano me sinto orgulhoso, feliz com as decisões que tomei, com os caminhos que segui. Não existe errependimento, existe apenas desejo e a esperança de que o próximo ano seja ainda melhor! Quem pode imaginar onde estarei em outubro do ano que vem? Acho que já sei, mas deixo aqui a surpresa.
E a vocês meus leitores e amigos só me resta agradecer pela paciência de aturar meus delírios textuais e muito cuidado com a palavra! Eu disse textuais e não sexuais, esses ficam por conta da minha namorada...
OBRIGADO!

criado por Aurélio Araújo
12:29:26
Pitando o playground reformado para a "Cidadela das Crianças"
 (94).jpg)
Olha a felicidade de brincar no parque novo!
Depois de levar a molecada do Hope para o cinema, seguimos no mesmo dia para outra ação que se daria no período da tarde na “Cidadela das Crianças”, uma escola-internato para meninos e meninas carentes.
Colegas voluntários que atuam nesse projeto conseguiram levantar uma grana para a reforma do parque, que por sinal estava em condições deploráveis. Tão enferrujado que diariamente alguém se machucava brincando por lá, sem falar nos riscos de infecção e tétano.
Pagamos uma empresa particular para trocar as chapas, correntes, balanço, efim, fazer as devidas reformas... mas o acabamento foi por nossa conta, afinal, voluntário é para isso mesmo! O resto do final-de-semana foi só pintando o 7 no parque da Cidadela...
Pinta daqui, se suja dali...pausa para água, o sol aqui castiga! Pinta de novo, para para fazer um som... uma passada, uma marabenta (ritmos moçambicanos) e tome pintar. No final do dia, está quase tudo finalizado, tinta seca e a molecada já brincando no balanço e escorregas.
Na hora do por-do-sol voltamos cansados (eu diria até: acabados) para casa de carona na caçamba de uma caminhonete, e quem disse que a gente se importou? E sabe por que?
Sorriam crianças! O seu parque está pronto!
Para ver as fotos dessa ação acesse:

criado por Aurélio Araújo
11:28:24 Blog.jpg)
Foto antes de sair para o cinema...
Neste final-de-semana, eu, Lívia e Rutgar (voluntários do Hope Center) nos organizamos e conseguimos levar os órfãos do Hope Center para o cinema... uma experiência que, definitivamente, foi muito além das minhas expectativas. Eles nunca haviam estado diante da grande tela, aquele era a grande estréia. Foi um sonho para eles, foi um sonho para mim. Ah... aqueles sorrisos!
Alugamos uma vã e seguimos cantando e nos contagiando com o entusiamos das crianças. Chegando lá, em uma organizada fila dupla nossas crianças desceram as escadarias e seguiram para a sala de projeção. O lanterninha nos ajudou a encontrar assentos livres... eles estavam maravilhados. Um delas, inclusive, me confessou que estava um pouco assustada com o tamanho da tela... com olhos presos ao filmes, eles nem sequer piscavam.
Como era seção infantil, tivemos no meio do filme um intervalo para banheiro e lanche. Foi quando decidi comprar pipoca com meu companheiro para distribuir para molecada. Seguimos para a saída da sala de projeção e quando cheguei à porta parei e olhei para trás. A cena me pareceu estranha e fiquei meio sem entender o que vi. Crianças de classes média e média alta da sociedade maputense conrriam, gritavam, choravam, jogavam pipoca no chão, negavam o lanche oferecidos por seus pais... vi crianças mimadas disperdiçando, reclamando, chorando por motivos absolutamente patéticos. Foi aí que olhei para a duas primeiras fileiras do cinema e lá estavam eles, os nossos queridos órfãos... sentandos, conversando em um tom adequado, absolutamente educados. Algumas de nossas crianças são soro positivos e provavelmente não viverão mais que dois anos, mas sabe de uma coisa? Eles nunca reclamam... sorriem. Se eu tiver filhos, se coportarão educadamente como nossos doces órfaos. Eles comeram pipoca e jogaram o sacos no lixo... ao final, aplaudiram a película e agradeceram.
Não é fácil conviver com essa realidade... não é facil mesmo. Minha cabeça roda o tempo inteiro... é uma motanha russa de sensassões.
Torço por um futuro melhor para cada uma daquelas crianças, mas a realidade é que para algumas delas o momento mais marcante de suas vidas terá sido aquela sessão de cinema... umas por que não terão mais oportunidades, outras por que por que simplesmente não terão tempo... tempo de vida. Serão estatística, números nos coeficientes de pobreza do continente africano. Não para mim...
Aquelas crianças tem rosto, nome e serão sempre meus grandes... professores.
Para visualizar mais fotos acesse:
http://zocorelio.multiply.com/photos/album/51
Para vizualiar o vídeo Hope for Kids, Hope for Life (by Aurélio Araújo) acesse:

criado por Aurélio Araújo
05:28:54
Acho que foi algo que aprendi desde criança: ajudar... ainda lembro quando meu pai trazia meninos-de-rua para dormir em nosso apartamento. Minha mãe, mesmo surpresa, dava banho, roupas comida e no dia seguinte meu pai os levava para casa, quando eles tinham uma. A minha experiência no Movimento Escoteiro por 16 anos só acabou por aprofundar essa necessidade, verdade, essa é a palavra... necessidade. Tenho uma grande necessidade de ajudar o próximo. Quando isso não acontece, parece que está faltando alguma coisa... Ficou na minha cabeça o velho lema: “O Escoteiro pratica diariamente uma boa ação”.
Muitas vezes, me peguei refletindo sobre a possibilidade de ter nascido no final dos anos 40, por que o que eu queria mesmo era ter minha passado a minha juventude na décade de 60. O mundo estava em erupção! Guerra Fria, Ditadura, Revolução Cuabana, JFK nos EUA, JK no Brasil, Brasília, Beatles, Woodstock, sexo, drogas e rock and roll. Como era simples ter uma causa para acreditar. Capitalista ou socialista? Regime Militar ou Ditaduta? Duas Alemanhas, duas economias, corrida armamentista, espacial, tecnológica. Independência da África... tantos motivos para lutar, tantos ideais para viver e, por que não, morrer. Cansei de sonhar em ter feito parte daquela juventude, por que em alguns momentos senti a minha juventude estática, silenciada pelo consumismo, pelas futilidades televisivas, pela mesquinhês de pensar que os problemas da humanidade giram ao redor do seu umbigo. Queria ter podido escolher um lado, poder ter escolhido uma rebeldia combativa. Não essa rebeldia sem causa dessa nossa idiocracia adolescente.
Com a queda do Muro de Berlim morreu o sonho de um mundo mais igual, mais justo e o fim da Ditadura no Brasil parece ter deixado a nossa juventude da década de 80 silenciada após o fracasso das “Diretas Já”. Tancredo foi eleito indiretamente e com sua morte assumiu Sarney, que não foi eleito por ninguém.
Sem Ditadura, o inimigo deixou de ser tão claro, tanto de um lado quanto do outro a coisa se tornou mais difusa. Não existiam mais subersivos, nem ditadores. No desenrolar da nossa jovem democracia, os culpados se tornaram Banco Mundial, FMI, Collor e FHC. Ninguém sabia exatamente por que lutar, ou quem eram os culpados de nossos problemas, a coisa ficou dirpersa... antes era mais fácil: fora ditadura! A ditadura acabou... e agora? Vamos lutar por que? O pior é que a velha esquerda militante assumiu o poder do nosso país e manteve a política econômica, o CPMF. Os velhos combatentes do Araguaia são hoje acusados de corrupção. Muitos de nós continuam perdidos, calados, tentando se convecer de que o sonho acabou, ou o que é pior: vivendo sem sonhar.
Desde da década de 80 percebeu-se uma desmobilização profunda na defesa dos ideiais, entretanto, mesmo fracassada, a militancia esquerdista das décadas de 60 e 70 nos ensinaram que vale apena lutar para defender suas ideais na tentativa de vivermos em um mundo melhor. É por isso que podemos observar uma verdadeira multiplicação das ONG’s desde os anos 90. Claro! O homem precisar lutar por alguma coisa... o tempo pode ter matado vários sonhos, mas não matou a esperança. Acredito que a multiplicação das ONG’s é mais que um sinal da disperção da luta é um sinal claro que a luta continua, mas vem com outra cara: é a luta contra a fome, a pobreza e, por que não, o aquecimento global.
Não temos mais um muro para derrubar e a luta se diversificou, se sofisticou, se tornou mais detalhada. ONG para salvar baleias, gatos, cachoros, florestas, gente. ONG para saúde, educação, lazer e esporte. ONG para tudo. Você acredita em que? Você quer mudar o que? Escolha seu grupo, mobilize, levante sua bandeira e vá a luta... o mundo moderno nos dá essa possibilidade. Não estamos presos na velha batalha direita X esquerda, comunismo X capitalismo, bem X mal, o céu X terra. O mundo é mais complexo que essa dicotomia barata medieval. Se você quer ajudar uma causa, seja qual for, vá a luta companheiro. É hora da sociedade civil exigir o que é certo e acabar com o que está errado. O governo construiu escola, estrada, hospital? Não fez mais que sua obrigação. É para isso mesmo que ele existe... não devemos ser gratos ao governo por nos fornecer aquilo que é seu dever: o bem-estar social.
Mais que uma batalha político-partidária, a necessidade que temos hoje é por uma batalha humanística... não violência, democracia, direitos iguais, gestão transparente, ecologia, gênero, fim do racismo, etc. Todos eles são conceitos universais que precisam ser aplicados nos quatro cantos do planeta. Enquanto existir um povo que sofra pela falta de qualquer um desses elementos, existe uma luta a ser travada. E quando falo de luta, não falo de armas. Já foi o tempo que precisavamos pegar o fúzil para defender os nossos ideais. O que precisamos são de boas idéias e vontade de ajudar. Isso é o que eu chamo de "espírito voluntário"... minha esperança é que esse espírito se torne um corrente crescente. Imagine se cada um de nós ajudasse o próximo um pouquinho? Imagine se cada um de nós dedicasse um pouco do seu tempo para ser um agente de transformação da realidade? John Lennon disse Imagine, mas quem realmente escutou? E o coitado acabou morto a tiro em plena Big Apple.
Já o velho Marx disse “Trabalhadores do Mundo, uni-vos!” Esse, muita gente escutou, mas entedeu errado. Foi uma tentativa de mostrar que a exploração proletária não era um problema de chineses, japoneses, americanos, ou brasileiros, mas sim, um problema Universal. Esse é o espírito... sei que é defícil, se que leva tempo, mas a idéia é simples: o mundo deve ser um lugar bom para todos.
Não perco a esperança e continuo alimentando o meu espírito voluntário, tentando aumentar a corrente. Escolha sua causa e lute por ela. Levante a sua bandeira e não deixe ela cair. Chega de reclamar do Estado, do político, da polícia, da televisão. Estou cansando de ouvir reclamações sem ação. Está errado? Mude. Não consegue arrumar sozinho? Peça ajuda. Não deu? Pelo menos você fez a sua parte... se cada um fizer um pouco podemos alcanças um todo. E é nesse todo que eu quero viver, um todo de liberdade, igualdade e fraternidade. Isso mesmo os velhos ideais da Constituição Norte-Americana, que chegaram na Revolução Francesa e que acançaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E nossa tarefa hoje é bem mais fácil... não precisamos cortar cabeças, lutar contra reis ou nazi-fascistas. Basta cada um fazer a sua parte... mas que parte é essa? Isso, é você pode responder.
E aqui da África vou seguindo voluntário, vou seguindo sem emblema, sem regime. Não significa que sou apolítico, sou apenas apartidário. Nada contra os políticos, e se essa é sua praia... basta ser honesto. Vou contribuíndo da maneira que posso, lutando por meu ideal, acreditando que mais pessoas poderão fazer a sua parte e sonho que um dia, talvez, meus filhos vão viver em um mundo mais justo.
Já faz algum tempo que deixei de querer ter vivido na década de 60, foi quando percebi que a nossa revolução é agora.

criado por Aurélio Araújo
05:54:04
Ela veio me visitar na África... um delicioso encontro em nosso terceiro continente diferente. E é sobre isso que gostaria de falar hoje... sei o que o título desse post soa meio estranho e minhas palavras podem ser controversas, mas e daí? Quem disse que eu ligo em ser diferente, ou viver diferente? Se eu fosse normal teria feito concurso e estaria trabalhando em alguma agência do governo... outravia, decidi ser voluntário na África.
Muitos devem estar se perguntando: como Lua-de-Mel se não houve casamento... mas quem disse que ele é necessário? O que vale é o compromisso que trazemos dentro de nós. Tudo bem, o casamento pode ser necessário como um pompromisso oficial, mas quando se tem uma relação internacional isso é um pouco mais complicado... polícia, imigração, passaporte, etc. E o que eu vou fazer? Esperar? Não... infelizmente, a lei dos homens não regula a lei do coração. Se amar assim é pecado, eu sou pecador.
O pior é pensar que quando o casamento se torna uma obrigação religiosa a Lua-de Mel acaba ganhando a carga da famosa primeira vez. As pessoas se guardam “puras” e acaba que a Lua-de-Mel para quem é virgem soa como “sexo”. É controverso como tanta pureza só aumenta a pressão do sexo da Lua-de-Mel, seja por medo do desconhecido, ou pelo desejo contido de conhecê-lo. É verdade, para quem é virgem, Lua-de-Mel = Sexo! Você sabe disso... muitos podem dizer que não... mas deixemos de hipocrisia.
Mas por que? Por que ainda hoje tem gente que ver o sexo como sujo, impuro antes do casamento. Quando na verdade a Lua-de-Mel deveria ser um momento especial onde o casal vive algo difente... claro que o sexo se faz presente, mas quando ele já faz parte do dia-a-dia, acaba não sendo o centro das atenções, mas sim um dos temperos do prato pincipal: o momento a dois.
Aliás, acho que o casal deve ter várias Luas-de-Mel, cada uma delas capaz de celebrar a vitórias que foram alcançadas juntas, por que não? Decidimos que nós vamos ter várias... e essa foi só a primeira! Veio para celebrar o nosso compromisso, a nossa responsabilidade com outro na aceitação de compartilhar nossas vidas respeitando a nossa individualidade. Pensamos diferente, por que vivemos diferentes e nossa satisfação vem em plenitude! Quem disse que devemos ter só uma Lua-de-Mel? Seria mal ter 2,3,4, ou mais? Acho que não...
Em fevereiro eu sigo para encontrá-la na Nova Zelândia nosso quarto continente. Mas dessa vez não será mais um dos encontros dessa relação internacional... estaremos morando juntos na Oceania por alguns meses antes de nos mudarmos para Europa e é claro teremos mais 2 Luas-de-Mel para celebrar esses passos...
E entre todas as opções que poderia ter em minha vida, escolhi a melhor delas: ser feliz! Carpe Diem...
Para visualizar as fotos na praia de Tofu acesse o link:

criado por Aurélio Araújo
06:54:09