E acabou 2007… e ao chegar ao fim de mais um ano posso dizer que foi um dos melhores da minha vida! Cruzei continentes, fui na África, conheci minha futura esposa, fiz novos amigos, aprendi muito, cai, levantei, sorri e chorei. Termino 2007 absolutamente realizado, pobre e feliz!
Lembro quando escrevi sobre o que desejaria para 2007 a exatos 365 dias atrás e eu dizia: “que 2007 seja um daqueles anos que a gente nunca mais esquece... daqueles que ficam na memoria, daqueles que daqui a trinta anos vamos sentar em uma cadeira de balanco e contar aos nossos netos.”
http://zocorelio.blog.terra.com.br/?m=200701&page=2
E sabe de uma coisa? 2007 se deu exatamente assim! Foi o ano que eu fui para África do Sul, Estados Unidos, Moçambique e Swazilândia. Onde passei por Londres, Nova Iorque e Johannesburgo. E se você me perguntar o que eu quero para 2008, eu quero exatamente a mesma coisa. Eu quero a aventura do inesperado, o encanto de novas paisagens e o prazer do amor. Eu quero que em 31 de dezembro do próximo ano eu possa dizer que 2008 foi mais um ano daqueles!
Se todo o ano da minha vida for inesquecível, quando eu tiver 89 anos, eu vou poder olhar para trás e dizer: valeu a pena! Vivi com intensidade de pode apreciar um dia após o outro, um ano após o outro. A satisfação virá pelo que eu vi e vivi, não pelo que comprei, pelo dinheiro que ganhei, pelo regime que terminei... a ano novo não existe para que sejam feitas promessas, mas é a oportunidade de se começar a vida de verdade, de ampliar as fronteiras e abrir a cabeça. Assim, ao envelhecer poderei contar não apenas sobre um ano bom, mas sobre uma vida inteira que valeu a pena.
Saudades de 2007 e um brinde à 2008!

criado por Aurélio Araújo
16:43:01
Tudo bem, eu sei que o meu último texto não teve o desfecho esperado. Mas, sim! Eu finalmente cheguei ao meu destino final depois de uma longa viajem cruzando o oceano. Às 14:30 do 18 de dezembro eu desembarcava em Williamstown, Massachusetts. Foi muito bom estar de volta ao Institute for International Cooperation and Development. O que foi ruim foi ter que voltar a me acostumar com o dia-a-dia na neve.
E assim se deu a minha primeira semana nos EUA com muitas apresentações sobre o que fiz e por andei em África. Os novos voluntários pareciam muitos curiosos sobre nossas venturanças em Moçambique. Eles serão os próximos a, daqui alguns meses, embarcarem a campo. Falamos, mostramos fotos, falamos mais... foi bom estar em um ambiente onde todos estão quase que 100% dedicados com as questões de África, do Mundo. É como se isso diminuísse o choque de se voltar para o mundo normal, para as cidades, que por mais contraditório que pareça, o que vale é a lei da selva. É o velho “cada um por si” que me tira a paciência.
No dia 22 de dezembro retornei a Nova Iorque. Nesse último ano perdi a conta de quantas vezes estive por aqui... vim para o apartamento de um amigo. Confesso que não estava muito empolgado, o que queria mesmo era estar com minha família no Brasil e celebrar a ceia de Natal com aqueles que eu amo. Mas as coisas nem sempre acontecem ao nosso gosto. Resolvi, então, aproveitar minha estadia, afinal é Nova Iorque, a capital do mundo. Não importa quantas vezes você passe por aqui, sempre tem algo novo para se ver e fazer.
Passei o Natal com a família de uma amigo americano. Foi divertido, mas estava longe de ser o Natal que eu queria. A família dele meio costa riquenha meio negra tinha uma batida latina que me fez sentir em casa, mas eu só pensava na minha casa.
Um ano e quatro meses na estrada é bom, só que a saudade fica grande demais. Nesse final de ano, não tive presente de Papai Noel, é que o bom velhinho não pode remarcar passagem aérea. Se ele pudesse, tenho certeza que ele me daria de presente a antecipação da minha volta para o Brasil... afinal, eu acho que fui bom menino em 2007.
Feliz Natal!!!

criado por Aurélio Araújo
15:22:01
Foi uma longa jornada. Eu e meu companheiro Renan saímos sábado 6:00 da casa dos voluntários em Maputo e de taxi seguimos para pegar o ônibus que nos dexaria em Johannesburg (África do Sul)... o ônibus partiu exatamente às 7:30 e por volta das 9:00 chegávamos na fronteira de Ressano Garcia. Era a minha quarta vez por lá, sabia que estaria lotada, mas não tanto! Havia esquecido de um detalhe: no período de final de ano, os moçambicanos que trabalham nas minas da África do Sul retornam para casa para celebrar as festividades e trazer os ganhos para família. Milhares de pessoas se alinhavam em filas para estamparem o carimbo em seus passaportes. Foram 2 horas e meia esperando em um calor que beirava os quarenta graus. Após esse pedaço de inferno seguimos viagem sem mais prolemas.
O clima em Johannesburgo era agradável. A medida que seguiamos para sul a teperatura esfriáva. Confesso que a cidade me pareceu mais amigável que dá primeira vez que passei por lá em junho, mas não sou ingênuo de achar que estava menos perigosa. Desembarcamos por volta das 18:00 e de cara encontramos um taxista moçabicano que se ofereceu para no levar ao aeroporto. Aceitamos, e para nossa supresa, ele também estava levando outra brasileira para o mesmo destino. Uma senhora de Goiânia que era enfermeira em Moçambique desde 1994. É engraçado como nós brasileiros estamos em absolutamente todos os lugares. Não há lugar nesse mundão que a gente viaje e não encontre um!
Voamos para Londres, passeamos no Hetrow e seguimos para Nova Iorque. Desembarcamos no JFK, pela imigração, pegamos as malas e seguimos para a estação de ônibus da cidade (Port Authority). A temperatura por aqui? – 5 graus... isso mesmo, deixamos os 40 de Moçambique para alcançar os – 5 da Big Apple. Meu corpo logo sentiu a diferença.
Devido a uma tempestade de neve ao norte, todos os ônibus foram cancelados e nossa chegada à IICD foi empurrada para o dia seguinte. Frustrado? Claro... triste? Jamais! Afinal, eu estava na capital do mundo, eu estava em Nova Iorque! Conseguimos um Hostel e nos embrenhamos por algumas linhas de metrô. Já faziam 40 horas que estávamos viajando. Detei na cama do quarto e dormi, dormi às 5 horas da tarde... acordei às 5 horas da manhã. O cansaço e o fuso-horário me maltrataram. E acordei com toda a disposição do mundo... resolvi ir para sala-de-estar e ver um filme, usar uma internet. O tempo aqui funciona 7 horas a menos que Moçambique, demorei 4 dias para voltar a dormir direito...
Saímos para tomar café, um café americano. Queijo, bacon, ovo, panquecas, etc. Me senti cheio, quase explodi de tanto comer, me senti vazio, a saudade da África já era grande demais. Aqui a fartura, lá a falta... não posso olhar o mundo da mesma maneira, sem pensar nos meus irmãos que ficaram para trás. Prometo ser responsável, zelar pelo próximo e pelos direitos humanos, prometo manter viva a chama da esperança de viver em mundo melhor. E prometo para mim, por eles, por todos nós. África mudou tudo. Mudou quem eu sou e quem eu quero ser. E passando de taxi pela Time Square senti falta da tranquilidade e simplicidade de Changalane... é que as luzes da Time Squares poderiam iluminar milhares de lares sem eletricidade em Moçambique.
“Oh mundo tão desigual,
Tudo é tão desigual,
Oh, oh, oh, oh, oh (…)”.

criado por Aurélio Araújo
13:05:29.jpg)
Guerreiro Swazi na Vila Cultural - photo by Aurélio Araújo.
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Pedalando nas trilhas da Swazilândia.
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Feiticeiro lendo o meu futuro...
Eu me aventurei em mais um país africano. Fui meio que sem querer, sem saber o que esperar e fiquei impressionado. O Reino da Swazilândia, com seus singelos 17.000 km2 e 1.1 milhões de habitantes é um lugar encantador... com suas colinas e motanhas e clima de serra a Swazi é um lugar abençoado. O povo sorridente, gentil e acolhedor parece estar sempre feliz e orgulhoso de receber visitantes.
Após 6 meses em Moçambique, senti um choque ao passear por lá. Estradas bens sinalizadas, em excelente condições, polícias em todos os lugares, cidades limpas e organizadas, além dos vários espaços de interesse público como: banheiros, jardins, parques, museus, etc.
Fui a Manzini, fui a capital Mbabane, fui a Lobamba. É fácil vconhecer o país inteiro, ele tem apenas 110km de largura. Em Lobamba me aventurei em uma moutain bike pela Mantega Natural Reserve, um paraíso natural e cultural da nação Swazi. E foi lá que eu encontrei uma comunidade tradional zulu. Os swazi são uma das nações nacida dentro dos Zulu. Grandes guerreiros e caçadores se estabeleceram em um território encravado na África do Sul e beirado por Moçambique. Eles consigaram a sua independência em 1967 dos inglêses de maneira pacífica e se tornaram um paraíso de convivência para aqueles que repudiavam o apartheid. O país, apesar do grande problema do HIV - que se estende por toda a África sub-sahariana, parece ser o mais desenvolvido da região, dando a sensação de se estar em um reino encantado.
Visitei a vila Swazi, entrei na cabana do feiticeiro que me explicou como matar leões, cobras, como limpar o estômago de hipopótamos com vermes, me falou sobre o poder de algumas plantas para diarréia, dores de cabeça e pesadê-los e falou do meu futuro. Vi a dança tradicional dos Swazi. No final, fui convidadado para comer carneiro assado com outros pratos tradicionais e me deliciei nos sabores de África co as mãos, talheres não fazem parte da mesa, nem a mesa... na África se come no chão.
Ao final da tarde, fui ao palácio real. A Swazilândia é a última monarquia tradicional africana, o rei é o chefe da tribo e a rainha é sua mãe. A mornaquia por lá, mesmo com toda a tradição, é democrática com senado e assembléia eleitas pelo povo e com o 1º ministro eleito pelo parlamento. Assisti a cerimônia do Ncawala. Mais de 500 guerreiros zulu em suas roupas tradicionais com peles, lanças e escudos dançavam e rezavam ao redor do rei. Um momento único. Mas o melhor foi ver o rei e suas 16 mulheres, a rainha e todos os seus filhos. Todo o ano o rei escolhe um nova mulher em uma cerimônia que acontece em agosto. Na Swazi o homem pode ter quantas mulheres ele puder sustentar.
A mulher se casa aos 18 e homem entre 30 e 35 anos. Primeiro o homem trabalha, depois ele casa. É que casar aqui custa caro. O homem deve pagar ao pai da noiva 17 cabeças de gado. A riqueza se mede pelo tamanho do rebanho. Era tanta história, tanta cultura que eu nem sabia por onde começar. Me encantei pela Swazilândia, por suas cores, pelo seu povo, por que ela é a medida perfeita do que todo país africano deveria ser... culturalmente forte, economicamente desenvolvido, socialmente saudável. No terceiro dia retornei a Moçambique, voltei para arrumar minhas malas por que estou indo embora em algumas horas...
Eu vivi em Moçambique, mas foi no reino da Swazilândia que tive o meu grand finalle. Nos vemos em Nova Iorque!
Para visualizar mais fotos, acesse:
http://zocorelio.multiply.com/photos/album/57

criado por Aurélio Araújo
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Despedida com meus alunos na One World University em Changalane, a camisa foi um presente da Instituição.
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Agradecendo as homenagens...
Foi em uma sexta-feira chuvosa de dezembro que tudo aconteceu. Todos os meus alunos reunidos mais alguns membros do staff. Uma noite húmida, festa simples, mas cehia de valor. Minha despedida da One World University foi rodeada de muita tristesa e alegria. Aleria por poder celebrar aquele momento com aqueles que mais que alunos, viraram amigos. Tristeza por o tempo não perdoa, o relógio insiste em virar os ponteiros e após seis meses vou embora.
Poemas foram declamados, frases, discursos, danças, brincadeiras... tudo isso foi feito durante o meu adeus, durante a minha última noite em Changalane. Mas o que mais me surpreendeu foi uma singela homenagem feita por um aluno angolano. Ele se levantou, distribuiu pequenos papeis com a letra de uma canção e começou a entoá-la. No início eu eu ri, mas depois percebi que não era engraçado, era sério, era melancólico e feito com carinho. Querendo me dar um adeus à brasileira, eles cantaram “Não aprendi dizer adeus” de Leandro e Leonardo. Em outra situação poderia chamar aqui la de cafonice, mas aqui não, aqui foi de coração... e quando é assim, quem se importa em ser cafona?
“Não apendi dizer adeus,
mas tenho que aceitar que amores vem e vão,
São aves de verão,
Se tens que me deixar, que seja então feliz (...)”
Entendi a mensagem, o Leandro e o Leonardo estavam certos! Por isso, desejei também um futuro feliz a todos e disse adeus a aqueles com quem aprendi muito. Os meus alunos me mostraram um Moçambique que eu nunca poderia ter descoberto sozinho.
Mas não foi fácil dizer adeus, ainda não aprendi como fazer, e se tudo der certo nunca vou aprender (quando aprendemos a dizer adeus, esfriamos os nossos corações). As palavras se engacharam na minha garganta e eu, conhecido como falador, me vi mudo diante deles. Meus olhos falaram, eles entenderam. Pipoca, biscoitos, suco e acabava minha missão na OWU. Fui para cama querendo aproveitar minha última noite na savana, querendo que o tempo não fosse tão cruel. Na manhã seguinte, segui de volta a Maputo, mas dessa vez para partir.
Tudo que começa tem um fim, mas o importante é fim venha com satisfação. Assim é o nosso dia, assim é a nossa vida.

criado por Aurélio Araújo
15:26:24